SOBRE O ROMANCE “A ÚLTIMA FLOR DA TERRA” DE ADROALDO ALMEIDA

Já li e reli “Romeu e Julieta” de William Shakespeare, vi “O Morro dos Ventos Uivantes” de Emily Brontè e também “Orgulho e Preconceito” de Jane Austen e, claro, “O Amor nos Tempos do Cólera” e “Do Amor e Outros Demônios” de Gabriel García Márquez. De tantas histórias de amor, ciúme e outras tramas da morte, me encantei este fim de semana com “A Última Flor da Terra – sobre a paixão e outras vésperas da morte”, o segundo livro da trilogia do escritor baiano Adroaldo Almeida.

O romance “A Última Flora da Terra” é uma destas histórias que te prende pela engenhosidade da trama, pela escrita serena, pontual e agridoce que, embora nos pareça mais uma história de amor, ciúme e ódio, nos transporta por uma teia tão bem construída que chegamos à conclusão de que, muitas vezes, estamos tão pertos uns dos outros e achamos que encontros e desencontros são parte de um jogo chamado coincidência e não capítulos de um roteiro que já foi escrito há milhares de anos, ao qual muitos chamam de destino.
Falar de amor e ciúme, sem falar em paixão ou morte, é como não compreender que o
paradoxo e o antagônico se entrelaçam. Como diz Adroaldo Almeida, “o amor sempre teve disso, desejo e repúdio, ascensão e queda, posse e perda, vitória e ruína, sensatez e loucura; veredas emaranhadas, um rio caudaloso e torrencial para se atravessar”.
Quem ainda não leu, recomendo. Em “A Última Flora da Terra” descobrimos que “a vida é o outro”. Em cada personagem, cada perda, em cada partida, em cada desencontro e, sem
querer revelar o que de real e imaginário nos traz o autor, afirmar com suas palavras “que o fim do amor é mais impiedoso do que a morte”.

Por fim, parafraseando Adroaldo Almeida, eu bebi “A Última Flor da Terra”, em seu caderno de notas e em sua caderneta de fiados; bebi Pedro, bebi Rafisa, bebi Hanna e bebi, sobretudo, Ana Maria. “Eu bebi o amor e sua contrariedade. O que perdi para o orgulho e o que restou dentro do medo. Eu bebi a luz, a escuridão e o lusco-fusco. A estrada, o desvio e o labirinto”, assim diz Adroaldo.

(O romance “A Última Flor da Terra” de Adroaldo Almeida está disponível nos sites Amazon, Americanas, Extra e em toda a rede de vendas de livros).

Por Pawlo Cidade,
escritor, membro da Academia de Letras de Ilhéus

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